segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Tempo de São Martinho "




       


 http://www.calendarr.com/portugal/dia-de-sao-martinho/


A lenda de São Martinho conta que certo dia,  um soldado romano chamado Martinho, estava a caminho da sua terra natal. O tempo estava muito frio e ele  encontrou um mendigo cheio de frio que lhe pediu esmola. Então, rasgou a sua capa em duas e deu uma ao mendigo.

De repente o frio parou e o tempo aqueceu.  Acredita-se que tenha sido a recompensa por Martinho ter sido bom com o mendigo.

Por norma, na véspera e no Dia de São Martinho o tempo melhora e o sol aparece. Este acontecimento é conhecido como o Verão de São Martinho.


A tradição do Dia de São Martinho é assar as castanhas e beber o vinho novo, produzido com a colheita do Verão anterior.



 
Festa tradicional em Celorico



Este é um dia de festa nas escolas e, em casa depois de um dia de trabalho também se pode comemorar com os familiares e amigos.

Nas cidades não há tanta tradição, mas nas aldeias e vilas existem festejos próprios e muito antigos. Se tiver oportunidade, faça uma "busca" e parta à descoberta de novas formas de "viver" o  São Martinho. Conviva com as pessoas locais, converse, coma castanhas, cante, dance até e, claro beba um pouco de geropiga.


Para além da festa, é importante pensar que este também deve ser um tempo de Partilha e Solidariedade.

O próprio Outono convida a isso mesmo, tempo de recolha, de estar mais tempo em casa. Alguns animais fazem o mesmo, chegando mesmo a  hibernar, dormindo e repousando para pouparem a  energia que têm e, aguentarem até á próxima primavera.

Há uma história muito engraçada (que os meus filhos adoram), que conta a amizade entre uma lebre e um ouriço. Quando chega a altura de se separarem, pois o ouriço vai para a sua "toca" dormir, o coelho fica muito triste. Então, o ouriço lembra-se de lhe pedir que "guarde um pouco do inverno", para ele ver como é e, senti-lo. Assim, enquanto comia folhas, cascas e bolotas castanhas, o coelho embora cheio de saudades, sabia que tinha um objectivo a cumprir, não sendo tão difícil a separação.

Também nós, os ditos "Humanos", deviamos pensar naqueles que estão sozinhos, nas suas casas, muitas vezes pequenas e sem condições. O número de "velhotes" a viverem sozinhos é enorme, sem família por perto e com poucas ajudas.

Se estivermos atentos, por exemplo nos supermercados aonde se deslocam para fazer as suas "pequenas" compras e, olharmos para a sua cara, vemos tristeza, solidão, desamparo. Porque não perguntar se precisam de ajuda? Alguns nem sabem ler e, a maioria tem o dinheiro contado para sobreviver.

Depois de "encherem" o carrinho, com o essencial, vão fazer um enorme esforço, com dores até, para o levarem até casa, que nem sempre é ali ao lado, como fazem questão de dizer. "Quer uma boleia?"- pergunto."Deixe estar, não há problema estou habituada". Insisto, pois custa-me ver que leva um grande peso, para a idade e as suas condições. Acaba por aceitar, a muito custo, sorri e agradece.

Levo-a até casa, uma senhora com 92 anos, franzina, vestida de preto mas cheia de força interior.
Como mora num prédio com escadas, ajudo a levar o carrinho (cheio) até ao 1º andar. Convida-me a entrar. Uma casa simples mas limpa e arrumada e, com "vida". Mostra-me as fotografias dos netos e diz-me que vivem na Austrália, com o filho. Só tem os vizinhos para acudi-la com qualquer coisa quando precisa.

Perguntei-lhe : É a senhora que trata da casa? Sim, ainda faço tudo, cozinho pouco, mas só tenho 200 euros por mês, para viver. Estou viuva há 4 anos. As lágrimas vieram-lhe aos olhos, mas resistiu.
Mostrou-me o resto da casa e até o quintal, onde em tempos teve uma horta com o marido. Senti um nó na garganta, mas feliz por ter ajudado e partilhado aquelo momento com aquela pessoa especial.
Fiquei com o seu nº de telefone, para lhe ligar de vez em quando, ou até mesmo passar por lá para visitá-la.

Entrei no carro e pensei, como é possivel "sobreviver assim?". E quantas pessoas vivem assim, ou até em condiçoes muito piores?

Secalhar se alguns de nós, ajudarem estes "ouriços", que "hibernam" numa tristeza e solidão, durante esta estação do ano, a vida ou um dia por outro, podem ser diferentes e especiais.

Podemos fazer como o coelho, na história e, levar um pouco do lado bom do "Inverno", que pode ser aconchego, companhia, algo quente para comer e beber. Esta é concerteza, a melhor "prenda", que se dá a estas pessoas.

E porque não fazer isso, acompanhado dos seus filhos, para eles terem consciência do mundo que os rodeia e, assim tornarem-se mais solidários?

Façamos então como o valente soldado, São Martinho, que parou o cavalo, num dia de chuva e dividiu a sua capa, para aquecer o mendigo.

Vai ver que se sente melhor pessoa por isso e preenchido por dentro.


        


Deixo-lhe agora uma recolha de provérbios, bem portugueses.


Provérbios de São Martinho

·        Por S. Martinho semeia fava e o linho.
·        Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
·        Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
·        No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
·        No dia de S. Martinho, castanhas, pão e vinho.
·        No dia de S. Martinho com duas castanhas se faz um magustinho.
·        Dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
·        Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
·        Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

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