Com a aproximação do final do ano letivo, as escolas preparam-se para receber as famílias na "grande" Festa.
Arraial, jogos tradicionais, música, sardinhas, e as "pequenas" mas enormes "Estrelas", as nossas Crianças.
Fazem o melhor que podem e sabem, para agradar os crescidos. Cantam, dançam e encantam.
Algumas estão alegres e descontraídas, outras, as mais sensíveis e reservadas, emocionam-se e ficam com os olhos tristes. Mas, ficam ali (de pé), perante a enorme plateia, pais, avós, tios, primos, amigos. Os professores sempre do seu lado apoiam, ensinam e vivem o momento. Afinal, estão ali meses de trabalho, com histórias, canções, projetos, ensaios...é o momento de Glória, em que é apresentada a Sabedoria da relação Escola/Professor/Aluno.
É como uma grande família, pois vivem muitas horas por dia e por ano juntos. Têm um papel essencial na vida das pessoas e da sociedade. Fazem ver e acontecer momentos únicos e inesquecíveis.
Momentos que ficam guardados nos nossos corações para sempre, que nunca se esquecem. Guardam-se, junto daquelas "pérolas preciosas" que não têm forma, cor ou peso. Ficam no baú do "Tesouro das Emoções".
A grande instituição, que é a Escola, devia ter sempre um espaço reservado no album de família, as memórias de uma vida.
A grande instituição, que é a Escola, devia ter sempre um espaço reservado no album de família, as memórias de uma vida.
Curiosidades sobre a Escola:
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
O nascimento das
Escolas Latinas
As primeiras escolas latinas são inteiramente, na sua
origem, de inspiração grega. Limitam-se a imitá-las, tanto no que concerne ao
programa, como aos métodos de ensino.
Porém, os romanos vão pouco a pouco organizá-las em três graus distintos e sucessivos: a instrução primária, o ensino secundário e o ensino superior, aos quais correspondem três tipos de escolas, confiadas a três tipos de Mestres especializados.
As escolas primárias datam provavelmente dos séculos VII e VI a.c., as secundárias surgem no século III a.c. e das superiores somente há conhecimento da sua existência a partir do século I a.c..A data em que surgiram as primeiras escolas primárias permanece controversa.
Pensa-se que o ensino elementar das letras terá surgido em Roma muito antes do século IV a.c., provavelmente remontando ao período etrusco da Roma dos Reis. Data do ano 600 a.c. a tabuleta de marfim de Marsigliana d’Albegna que possui gravada na faixa superior do seu quadro um alfabeto arcaico muito completo, destinado a servir de modelo de escrita incipiente que se exercitava escrevendo na cera da tabuleta.
Se é certo que a iniciação da criança nos estudos fica a cargo de um
preceptor particular (em especial nas famílias aristocráticas), por volta dos
sete anos a criança é confiada a um Mestre Primário – o litterator,
“aquele que ensina as letras”, também designado por primus magister, magister
ludi, magister ludi literarii, ou, como viria a ser designado no
século IV a.c., o institutor. O primus magister é, em Roma, mal
remunerado e pouco conceituado na hierarquia social.
Tal como na Grécia, também as crianças romanas se faziam acompanhar à escola por um escravo, designado segundo a terminologia grega por Paedagogus. Este poderia, em determinadas circunstâncias, ascender ao papel de explicador ou até mesmo de mentor, arcando assim com a educação moral da criança. O Paedagogus conduzia o seu pequeno senhor à escola, designada por ludus litterarius, e aí permanecia até ao final da lição. O ensino é colectivo, as meninas também frequentavam a escola primária, embora para elas o preceptorado privado pareça ter sido a nota dominante.
Cabe ao Mestre providenciar as instalações. Este resguarda os seus alunos debaixo de um pequeno alpendre protegido por um toldo – pérgula - nas proximidades de um pórtico ou na varanda de alguma mansão aberta e acessível a todos. Há conhecimento de ter existido em Roma uma escola abrigada na esquina do Fórum de César. As aulas são portanto essencialmente ministradas ao ar livre, em local isolado dos barulhos e das curiosidades da rua por meio de um tabique – o velum.
As crianças agrupam-se em torno do Mestre que pontifica da sua cadeira – a cathedra - colocada sobre um estrado. O mestre é muitas vezes assistido por um ajudante, o hypodidascales. Sentadas em escabelos sem encosto, as crianças escrevem sobre os joelhos.
A jornada escolar da criança romana tinha início muito cedo e durava até ao pôr-do-sol. As aulas apenas eram suspensas durante as festas religiosas, nas férias de Verão (dos finais de Julho a meados de Outubro) e também durante as nundinae que semanalmente se repetiam no mercado.
Além da leitura, o programa compreende a escrita em duas línguas (latim e grego) e um pouco de cálculo no qual se inclui a aprendizagem do ábaco e do complexo sistema romano de pesos e medidas. Para a aprendizagem do cálculo recorria-se vulgarmente à utilização de pequenas pedras - calculi - bem como à mímica simbólica dos dedos.
Números simbolizados pelos dedos
A técnica aprofundada do cálculo escapa no entanto à competência do primus magister, sendo ensinada mais tarde por um especialista, o calculator. Este distingue-se do primus magister na medida em que o seu papel está mais próximo do de um especialista, como os calígrafos ou os estenógrafos.
Na aprendizagem da escrita começava-se por se aprender o
alfabeto e o nome das letras, de A a X, antes mesmo de lhes conhecer a forma. O
nome das letras era seguidamente ensinado ao contrário, de X a A e
posteriormente aos pares, primeiro agrupados segundo uma dada ordem e logo após
agrupados de forma aleatória. Seguia-se a aprendizagem das sílabas, em todas as
combinações possíveis e, por fim, dos nomes isolados. Estes três tipos de
aprendizagem constituem as categorias sucessivas do abecedarii, syllabarii e
nomirarri. Antes de passar à redacção de textos era ensaiada a escrita de
pequenas frases bem como máximas morais de um ou dois versos.
O ensino da escrita é simultâneo ao da leitura. A criança
escreve em sua tabuleta as letras, palavras ou textos cuja leitura deverá
posteriormente efectuar. Empregam-se a princípio dois métodos alternados: um
que remonta às origens da escola grega e que consiste em guiar a mão da criança
para lhe ensinar o ductus, e outro mais moderno, talvez originário da escola
latina, em que se utilizam letras gravadas em concavidades na tabuleta que a
criança retraça usando o estilete de ferro e seguindo o sulco através da cera.
Esta é alisada com o polegar logo que tenha terminado a tarefa, para que assim
possa reproduzir as letras na tabuleta.
Tabuletas ceráceas para escrever
Tabuletas ceráceas para escrever
canetas e stili romanos
Quando surgem o pergaminho e o papiro a criança passa a escrever com uma cana talhada e molhada em tinta.
Tinteiros romanos
Os livros são feitos com folhas coladas lateralmente e
enroladas à volta de uma varinha. Para ler, a varinha é mantida na mão direita
e com a outra mão desenrola-se a folha única.
Associada à leitura e à escrita encontra-se a declamação. A
criança é incentivada a memorizar pequenos textos à semelhança do que ocorria
na Grécia.
Os alunos são agrupados em classes, de acordo com o seu
rendimento escolar. O autor (desconhecido) dos Hermeneumata Pseudodositheana
salienta a necessidade de “...levar em conta, para um e para todos, as forças,
o adiantamento, as circunstâncias, a idade, os temperamentos vários e o
desigual zelo dos diversos alunos.” Esboça-se uma modalidade de “ensino mútuo”,
em que os melhores alunos colaboram com o primus magister ensinando aos colegas
as letras e as sílabas. Os títulos (designação latina para quadro preto) é
também uma invenção romana. Consiste num rectângulo de cartão preto em torno do
qual os alunos se agrupam de pé, ordeiramente.
Estes métodos começam a ser questionados por volta do século I da nossa era, tendo-se registado desde então uma evolução no sentido de um abrandamento da disciplina em favor de uma indulgência crescente para com as crianças. A rotina pedagógica foi aligeirada com a introdução de novas práticas de ensino que ficam a dever-se a Marco Fábio Quintiliano, reconhecido Professor de Eloquência que viveu no século I da nossa era."
Em pleno século XXI ,ano de 2013, podemos questionar-nos sobre muitas mudanças que existiram, ao longo de séculos, na educação. Umas para pior, mas outras concerteza que evuluíram de uma forma muito positiva.
É bom saber que o excesso de austeridade e a imposição de certas "matérias" às crianças, desapareceram. Sendo assim, deu lugar, pelo menos na primeira infância a uma variedade atrativa e interessante de "disciplinas", ligadas à arte, às "letras" e também à "matemática". Logo desde pequeninos, são estimulados para gostarem e estarem atentos ao mundo que os rodeia.
As Escolas já não vivem fechadas sobre si mesmas, mas viradas para a comunidade. As crianças não só vêem, como sentem e vivem cada momento, com mais intensidade e alegria.
Cabe, então a nós Pais, Educadores e Professores dar continuidade, a esta evolução tão benéfica, que a Educação sofreu. Seja pela música, história, poesia, expressão corporal... o fundamental, é mantê-los sempre interessados em alguma coisa, e ajudá-los a escolher o melhor caminho a seguir.














