Maio, é um mês muito especial. Não só porque já estamos em plena primavera, em que tudo "nasce" à nossa volta", como existem dias para celebrar momentos únicos.
No primeiro Domingo, celebra-se o dia da Mãe, a 13, para os mais crentes,o "encontro" com Nossa Senhora e,também o dia da Família (a 15), menos conhecido.
Por tudo isto, e por ser considerado o mês do Coração, uma palavra muitas vezes esquecida no nosso dia a dia, gostava de partilhar aqui uma história que escrevi para crianças.
Inspirei-me nos meus dois filhos, na sua "pequena" sabedoria e também naquilo que acredito e aprendi.
Esta história fala da Magia que existe em cada um de nós e na vida. Espero que goste e, que possa partilhá-la com alguém especial.
"TEMPO
DE MAGIA"
Esta
história fala de Magia. A magia da vida, das pessoas, das coisas.
Gostavas
de ser Mágico? Ou de conhecer alguém que faz Magia?
Pois
então, senta-te no teu sítio preferido lá de casa, ou no jardim, uma praia,
onde quiseres e gostares mais e lê esta história.
Era
uma vez um homem mágico, já velhote que tinha muita sabedoria…
E
o que é Sabedoria
sabes?
Sabedoria, é quando fazemos algo bem ou sabemos muito sobre alguma coisa.
Pode
ser ler, escrever, fazer contas mas também cultivar uma horta, pescar,
cozinhar, dançar e até brincar.
Todos
nós temos alguma sabedoria e as crianças também.
Tu
que já sabes ler, ou estás a aprender tanta coisa, tens a tua própria
sabedoria, já pensaste nisso?
Com
seis, sete, oito ou nove anos embora ainda sejas pequeno, tens imensos
conhecimentos. E, se juntares a tua Magia também, como quem mistura açúcar num
bolo, vais ver que te sentes um verdadeiro mágico.
Claro,
que a magia tem truques, surpresas e deixa todos espantados.
Mas,
se estiveres atento, ouvires os outros, observares o que te rodeia, aprendes
num instante. É fácil!
Como
já deves estar muito curioso, vou contar-te então a aventura de quatro amigos,
que adoravam passar parte do seu tempo na companhia do Homem Mágico.
Ele
vestia uma túnica de tons azulados e usava uns colares feitos de búzios. A sua
casa era pequena e, ficava perto do mar.
Gostava
de pescar e de ver as estrelas à noite, sentado numa velha cadeira de baloiço.
E tinha um tesouro muito
precioso, guardado numa estante feita de madeiras trazidos pela maré, livros.
Livros cheios
de histórias, conhecimentos, imagens. Livros cheios de Sabedoria.
As
crianças que viviam ali perto, adoravam ir conversar com ele. Tinham sempre
muita curiosidade e,
levavam na sua Mochila perguntas, às vezes com respostas,
outras vezes não.
Isabel,
de oito anos e muito sensível, adorava Observar
as Pessoas e a forma como se Relacionam.
- Porque é se zangam tanto e dizem constantemente, que não têm tempo para nada?
Já
o Duarte, com um sorriso meigo e com menos dois dentes à frente, próprio da sua
idade, preocupava-se com a Natureza e os seus Mistérios.
Pedro,
com seis, de olhos escuros e muito vivos, queria saber como era o Céu, as Estrelas e a Lua.
Luísa,
a menina mais velha do grupo, gostava do Mundo e do que se passava nele, as
novidades, as viagens, as diferentes pessoas, os seus hábitos e costumes. Com dez
anos, já tinha viajado algumas vezes com os pais e adorava ir a museus e
espectáculos.
Cumprimentaram
o homem mágico, que estava a ler na sua cadeira e sentaram-se ao pé dele. As
perguntas logo saltaram com entusiasmo, da boca daquelas quatro crianças curiosas.
- Calma
amigos, há tempo para tudo. Lembram-se do que vos disse do poder da Magia? É
muito simples, só é preciso Saber Ouvir,
Saber Esperar, e Aprender. E,
claro Acreditar.
- E também dormir, quando é para dormir e
brincar quando é para brincar, disse apressadamente Pedro, que é doido por
brincadeira.
Muito
bem, vamos então primeiro ouvir o que se passa à nossa volta e fechar os olhos,
sugeriu o homem mágico.
- Eu
oiço o Mar e as Gaivotas! - Sorriu feliz, o Duarte.
- Eu
oiço o meu Coração! – Entusiasmou-se Isabel.
Então
agora, vamos pensar nas nossas
perguntas, o que Queremos Saber e Porquê. E respeitando sempre o outro,
esperamos pela nossa vez.
Luísa,
sempre pronta para a aventura, queria saber porque é que as pessoas viajam
tanto hoje em dia. São amigos que vão para outro país viver, são os pais que
trabalham fora e, depois as viagens que não são verdadeiras, as da internet.
O
homem mágico pensou um pouco antes de responder. As
pessoas sempre viajaram
de um lado para outro, mas a verdade é que hoje há mais necessidade de fazê-lo,
ou porque não há emprego, ou porque a profissão do pai ou da mãe assim o exige.
Mas,
a verdade é que vivemos tudo demasiado depressa, sempre a correr, sempre a
comprar, à procura de mais e mais. E, se calhar temos o que precisamos mesmo ao
nosso lado.
- Como
a Família e a Casa, onde vivemos?- perguntou Duarte.
Sim,
é um bom exemplo. E a Magia disso, está nas Raízes que criamos com as pessoas e as
coisas.
Já
sei, como as raízes das árvores, que começam por ser só uma Semente
e, depois com o sol, a chuva, vão crescendo, crescendo e, depois dão flores e
frutos.- Comentou isabel.
Luísa
acrescentou, claro, a semente pode ser o bebé na barriga da mãe, que cresce e
cresce. E, depois de nascer com a Dedicação e o Amor
dos pais, os carinhos
dos irmãos e dos avós e o conforto da casa, vai tornar-se numa Criança Feliz.
Exatamente,
percebem então muito bem o que são raízes.
Pedro,
o mais novo, estava muito atento a tudo que se dizia mas, para ele a maior
magia de todas estava no céu.
- As estrelas fazem desenhos no céu e, aposto que
também há árvores e raízes, eu vi no planetário!
Com
os seus sábios dez anos, Luísa olhou para o Pedro e, discordou.
- Não, não, estás
enganado, o conjunto de estrelas formam animais, como a ursa maior, o leão ou o
touro.
- Não
se zanguem meninos, disse Isabel que não gostava nada de discussões.
Lembrem-se
que cada um de nós tem a sua sabedoria e imaginação. Além disso, temos idades e ideias
diferentes.
O
homem mágico, sabia o que dizia os seus anos de experiência e as suas longas
barbas brancas, falavam por si.
- Agora,
vamos falar da natureza. Duarte, já estava impaciente com tanta conversa.
O
arco-íris
no céu pode ser magia não é?
- Não
seu tonto ! A chuva caiu das nuvens e, depois se houver sol, que é o que dá cor
a todas as coisas na terra, aparece o arco iris. É assim, explicou Luísa.
- Sim,
eu sei muito bem. Mas, não deixa de ser magia. A minha mãe diz que é, afirmou
Duarte com toda a certeza.
- Então,
pensou alto o Pedro, se não houvesse sol, não havia cores, é isso?
- Claro,
por isso é que existe a noite ! O sol vai-se embora para o outro lado do mundo
e, aqui fica tudo escuro, respondeu Isabel.
Estão
a ver meninos, uns com os outros, aprendem imensa coisa e, sabendo
ouvir e esperar pela nossa vez de falar, melhor ainda. A isto chama-se respeito e
os amigos respeitam-se uns aos outros.
Então,
digam lá agora, o que pensam da Amizade?
Ser Amigo é…
Respeitar a pessoa
Acreditar
nela
Partilhar
momentos juntos
Ajudar
quando é preciso
Aprender
em conjunto
Partilhar
segredos e brincadeiras
E
isso é importante?
- Tão
importante como a Família, a nossa Casa
e a nossa Escola. Luísa, vivia tudo isto com
intensidade.
- Duarte
acrescentou radiante… e também o nosso Bairro! Adoro passear de bicicleta, jogar à
bola na relva, falar com os nossos vizinhos e brincar com eles!
- Preocupada
Isabel perguntou, então quem viaja para longe, como leva as suas raízes?
- Dentro
de uma caixa, ou no coração. É mesmo
verdade! – respondeu Pedro.
Lá
fora, noutro país, noutra casa, com novos vizinhos, as pessoas criam novas
raízes, mas nunca esquecem as da sua origem.
- E
agora, existe o Skype por isso, as pessoas falam e podem ver-se quando
quiserem, comentou Duarte.
- Mas
não é a mesma coisa! As pessoas não se abraçam, nem sentem da mesma maneira. A personalidade
sensível de Isabel, não lhe permitia muito o contato com as novas tecnologias.
- Conheço
uma história que fala disso, de lugares distantes, de meninos com hábitos e tradições diferentes das nossas. E, eles faziam colecções
de várias coisas, recorda Luísa, de pedras, conchas, troncos.
- Eu
também faço, disse logo Pedro mas, de brinquedos e livros.
Os livros são muito importantes e, mesmo havendo
os computadores e a internet, onde se fazem as tais viagens virtuais, ou menos
reais, não há nada que os substitua, sabem porquê?
- Sim,
porque são únicos e especiais,
disse Isabel.
- E também porque têm dragões e
cavaleiros! Espadas, escudos, elmos eee esporasss! Pedro entoou contente a
canção, que o professor de música lhe ensinara.
- Ah! Mas eu também faço um jogo com
dragões no computador da escola e adoroo! Apressou-se Duarte a dizer.
- Luísa, pensativa, disse que uma
verdadeira história tinha de falar de Pessoas
e de Viagens. Pequenas ou mesmo grandes, cada uma
com a sua própria magia.
Tudo tem alguma magia, basta querermos
e acreditarmos. A praia tem a magia do mar, das ondas e das marés…por isso, é
que escolhi este sítio para viver.
- Poi é! Disse entusiasmado Pedro. E é a
lua que faz as marés mexerem para cima e para baixo. O meu pai ensinou-me, ele
é marinheiro. Então a Lua
também é mágica!
- E tu por acaso sabes, retorquiu Luísa,
que por vezes a lua tapa o sol, durante o dia e, fica tudo escuro por uns
instantes? Chama-se um eclipse total do sol!
- Uauuu! Que giro, sabes tanta coisa, és
mesmo crescida! Duarte ficou espantado com tanta sabedoria.
E tu um dia, também irás saber isto e
muitas outras coisas. Há medida que fores crescendo, os teus conhecimentos e a
tua sabedoria vão aumentando. É como as raízes, crescem e ganham força. Como
falaram de viagens, vou mostrar-vos um globo, que tenho ali dentro de casa,
para perceberem algumas coisas.
Quando voltou, trazia na mão o mundo,
tão antigo quanto ele.
Nós estamos aqui, disse baixinho, neste
cantinho ao pé do Oceano Atlântico.
- Pois é! Portugal é pequenino, mas não há igual! Duarte
adorava fazer rimas.
Então, se quiserem viajar para o
Algarve, por exemplo, como é que vão?
- De
carro…..comboio…autocarro…mota…. barco…de avião ….E até de bicicleta! Um senhor
já fez isso!!
Já
viram a quantidade de meios de transporte que podemos utilizar para ir a um só
sítio? Aposto, que cada um de nós escolhia um diferente, pois pensamos e
gostamos de coisas diferentes.
O
Pedro, provavelmente, escolhia o barco!
- Sim,
sim! E à vela, para sentir o vento e ver as estrelas à noite, deitado na proa.
A
Isabel, se calhar, o comboio ou o autocarro, porque tem imensas pessoas.
E
o Duarte, que adora aventuras, o avião para poder ver tudo lá de cima. O mar,
os rios, as casas, as serras…
E
tu Luísa, qual escolhias?
-Uhm..acho
que ía de mota, para ter uma verdadeira aventura!
- Então
e, se fossemos a outro país como Espanha, França ou Itália?
- De
avião, mas também de carro, comboio e barco!
- Que
giro! E podemos conhecer muitas pessoas, que falam outra língua, têm outra cultura,
fazem coisas diferentes..e há museus e cidades para visitar. Luísa adorava estas
coisas.
- Um
saltinho
aqui, um saltinho acolá, vamos lá! Mais uma rima do Duarte! Mas, e o dinheiro
para isso tudo?
Prudente
e atenta às poupanças, Isabel falou-lhes do mealheiro que tinha feito uma vez
com o avô. Se pouparmos um bocadinho todos os dias, talvez juntemos o
suficiente para fazermos a nossa viagem preferida.
- Sim,
pomos num mealheiro as moedas pequeninas! Pedro afirmou que um dia iria à lua pois
ele, o pai e o mano já tinham construído
um foguetão.
Isabel,
com a sua tranquilidade, ficava feliz se conhecesse bem o nosso país. Gostava
de ir às praias todas e sentir o cheiro da maresia. Ver a força das ondas e a
cor do mar, se é verde ou azul, se a água está quente ou fria.
Então
e os surfistas, não gostas? E o kitesurf, com aqueles papagaios gigantes no
céu?
- Com tanta excitação, Pedro já se imaginava a saltar nas ondas…
- Nem
por isso, prefiro pegar num búzio grande e, ouvir o mar…é tão bom!
- Isso
é magia! Eu tenho um em casa, que era do meu bisavô e, às vezes também oiço,
para acalmar.
Tão
a ver, afinal sabem mais sobre o mundo
do que pensavam. E há muita magia na vida e nas pessoas, se pensarem bem.
A
minha avó faz magia! Quando estou triste, com um beijinho especial e um
miminho, fico logo contente. Pedro adorava passar tardes inteiras em casa dos
avós. Lá fazia coisas diferentes, que não fazia em nenhum outro lugar.
E
eu, quando estou zangado, a melhor coisa que posso fazer é nadar.
Duarte sentia-se um autêntico peixe ou golfinho, leve e feliz. A água tem poderes
mágicos!
Isabel,
achava que o melhor remédio para acalmar, era mesmo ler ou então passear…a pé,
de bicicleta, de trotinete. Ou então falar com pessoas, falar é bom, alivia,
dá-nos paz e tranquilidade.
Foi
assim, que a nossa conversa começou, lembram-se? Antes de fazermos alguma coisa
ou de dizermos algo, temos de primeiro parar
para pensar e, só depois com
calma é que avançamos.
- Mas,
se andamos todos tão acelerados, sempre com pressa e mil e uma coisas para
fazer, como pode haver essa calma? Isabel, não se conformava com a velocidade
dos dias, das horas e dos minutos.
Assim,
continuava, como se pode saborear os bons
momentos da vida? E ter tempo para estar em família e com os Amigos verdadeiramente? Sim, porque ir ao
facebook e conversar a fingir não é nada.
Mas,
assim não sabias todas as novidades. Luísa estava muito habituada a lidar com a
rapidez das redes sociais.
Pedro,
estava um pouco baralhado. Para ele as melhores novidades eram aquelas que os
amigos contavam.
Duarte,
achava que devia haver tempo para tudo. Para brincar, estudar, passear e também
ver desenhos animados e jogar no computador. É assim que os meus pais me ensinam!
Sabem,
todos têm razão à vossa maneira. Há que saber dosear aquilo que fazemos, como e
quando. Tudo tem a sua hora e o seu tempo.
- Era
giro fazer um livro do tempo, pensou logo Isabel. Podíamos fazer isso
juntos e desafiar mais amigos na escola, a participarem.
Ou
então um jogo, com perguntas e respostas. Podemos fazer desenhos sobre
vários temas, adoro desenhar! Duarte já estava muito entusiasmado.
Pois,
isso dá muito trabalho. Pedro só pensava na brincadeira. E se construíssemos
uma casa na árvore?
Só nossa.
Até
podia ser aqui perto, eu conheço uma floresta e, até acho que tem ursos e
lobos!
- Que
imaginação a tua! E não tens medo deles, perguntou Isabel?
- Nem
pensar! Com a minha super espada e os meus super poderes, ninguém me faz mal!
- Andas
a ver muita televisão Pedro. Cuidado, olha que nem tudo é verdade, como pensas.
Luísa sabia o que estava a dizer.
- Sim,
a minha mãe diz o mesmo. Duarte cuidado com o que vês, pois pode fazer-te mal.
Mas como?
Os
pais estão sempre preocupados com os filhos. Com o que comem, o que fazem, para
onde vão e com quem, enfim…É a sua função, dar o
melhor que podem e têm. Educar,
é uma tarefa muito difícil, sabem? Há imensos livros sobre o assunto, pessoas
especializadas mas, na verdade cada Família é
diferente, assim como cada Pessoa.
Não há uma resposta certa. Com uns funciona de uma maneira e com outros de
outra.
Como
é que sabe Homem Mágico? Isabel, estava muito espantada, pois sabia que ele
sempre vivera sozinho.
Aprendi
com os melhores sábios do mundo, sabem quem são?
- Nãooo!!
Responderam em conjunto.
São
as Crianças.
Elas são o reflexo de tudo o que se passa à nossa volta. Das guerras, das
zangas que a Isabel falava, da velocidade a que tudo se passa e da falta de
tempo. Mas também, são a esperança de um futuro melhor para o nosso planeta.
- Pois
é! Por isso, é que já plantei duas árvores e sou muito Amigo da natureza.
Muito
bem Duarte. Se todos nós fizéssemos isso, mais a reciclagem, a poupança
da água no dia-a-dia e,
se fossemos menos gastadores, em tudo, a terra
estaria em melhores condições.
- Então,
se somos assim tão especiais porque é que não têm mais cuidado connosco, e com
o que dizem e fazem à nossa frente? Luísa sentia-se revoltada.
- Os
adultos passam a vida a dizer, não faças isto, olha que estou cá há mais anos
que tu, sei mais, tenho mais experiência, blá, blá, blá. São uns chatos, dizia
o Duarte.
E
o pior de tudo, é que gritam imenso e, estão constantemente a dizer-nos para
falarmos baixo. O pedro não entendia, esta atitude. Não fazia sentido nenhum.
Mas
sabem, os adultos também andam muito cansados, tristes e desiludidos com a vida.
E, depois procuram pequenos prazeres, os mais fáceis e mais rápidos, como um
telemóvel ou tablet novo. Ou então uma roupa diferente e alguma coisa muito
gulosa, como um bolo.
- UHmm!!Um
bolo é bom. O Pedro já estava com fome.
E,
se pensarmos bem, isso vai deixá-los felizes? Talvez por umas horas ou só uns
minutos. São tudo coisas que desaparecem com o tempo, perdem cor, qualidade ou
deixam de funcionar. Enquanto as relações com as pessoas e as crianças não. São
reais, sentem-se, cheiram-se e saboreiam-se. Isto sim é um bolo bom. Isabel, não sabia, mas já era uma poetisa.
Percebo
a vossa revolta e confusão, ao mesmo tempo. Lembrem-se apenas disto, têm a
magia nas vossas mãos para alterar um pouco os hábitos dos adultos. Podem
ensinar-lhes aquilo que eles não sabem ou já se esqueceram.
O
que é que aprendem na escola e com os professores? São coisas muito
importantes, que vos dão conhecimentos. Isso é o vosso trunfo.
Sabem o que é?
- Sim,
as cartas têm isso, quem tiver ganha!
- Boa
Pedro acertaste! Quem tem o trunfo na mão, pode ser um verdadeiro vencedor. E,
ao saberem ler, escrever e muito mais, são uns pequenos
sábios.
- Eu
não sou pequeno, já tenho sete anos! Refilou Duarte.
- Claro
que não. Mas estás a crescer e todos os dias aprendes coisas novas, que
aumentam a tua sabedoria. Assim, ao
lado do adulto e, sempre
respeitando-se um ao outro, aprendem em
conjunto.
Mas,
parece-me que o mais difícil é isso mesmo, as pessoas respeitarem-se. O meu avô
conta, que antigamente nenhum aluno respondia mal aos professores e, que as
crianças eram menos exigentes. Isabel, tinha longas conversas com os seus
familiares. Eu sei que hoje há demasiada liberdade,
talvez seja esse o problema.
O
ideal, era mesmo o meio termo, ou seja, nem demais, nem de menos. As pessoas
deviam pensar no caminho que fazem
para alcançarem o seu objectivo. Não é só o fim que interessa, é como lá chegámos, o tempo que demorámos, o
esforço que fizemos. O
meu pai diz-me isto muitas vezes, disse Luísa.
O
problema, é que hoje em dia há tanta coisa à nossa volta, que nos distraem e,
que entram na nossa cabeça tão depressa, que muitas vezes queremos algo,
naquele mesmo instante. E perdemos o fio à meada, como dizia a minha avó e, saímos do
caminho certo. E, Luísa acrescentou, penso que com os adultos é igual.
Esta
conversa, está a levar-me para uma altura do ano, que todos nós gostamos, o Natal.
O
que é que pensam desta Época Festiva?
- Para
mim o Natal, são os presentes – respondeu naturalmente Pedro.
- Achas
que é só isso? Isabel adorava estes dias, por ter a sua família toda reunida.
Para
mim, são as duas coisas, as prendas e estar
com os primos.
Sabem,
o Natal é isso e muito mais. Luísa conhecia bem as suas tradições, estão a
esquecer-se do mais importante de tudo, o nascimento
do menino Jesus.
Pois
é, esqueci-me! Pedro rezava todas as noites com a mãe e o mano.
- Já
sei, o Natal é ajudar
e partilhar, disse Duarte
radiante. Devíamos dar alguns dos nossos brinquedos, com que já não brincamos,
aos meninos que não têm nada.
E
também ajudar a nossa família, a preparar a casa e a fazer doces e… no que for
preciso!
Pedro, já começava a perceber o sentido desta conversa.
Muito
bem, disseram todas coisas fundamentais. Mas, voltando ao outro assunto de
haver tanta informação, nos cartazes da rua, na televisão, nos centros
comerciais…isso, não leva as pessoas a gastarem demais e a perderem tempo com
assuntos menos importantes?
- Como
assim? Duarte, não estava a perceber.
- Sim,
já percebi. No Natal, devemos estar com aqueles que realmente gostamos e partilhar
com eles, Momentos Especiais. Isabel estava atenta.
Não
importa quantos presentes damos, mas sim a qualidade e o valor sentimental que têm. Luísa, entendia bem que já não podia
ter tudo aquilo que lhe apetecesse. A vida está mais cara e, há que poupar para
as coisas realmente importantes.
Que
conclusões, podemos então tirar desta longa conversa que tivemos? Querem dizer
mais alguma coisa?
- Eu
gosto muito de ter Amigos e de Brincar com eles. Isso é importante, Pedro não tinha
dúvidas.
Duarte
acha que temos de Cuidar muito bem da Natureza, se queremos viver num Planeta Bom e Saudável.
Luísa,
cheia de ideias elaboradas, imaginava-se a viajar pelo mundo fora e, a conhecer
outras culturas e outros povos, ao mesmo tempo que ia estudando e aprendendo.
Isabel,
de repente, lembrou-se que na sua mochila tinha uma carta muito especial. Um tratado de família.
- O
que é isso? E porque não trouxeste num ipad? É muito mais fácil de todos
vermos, disse o Duarte.
- Isto
é especial, foi a minha mãe que escreveu. Eu vou ler-vos também?
Tratado
da Nossa Família
1. Vivemos
todos na mesma casa, partilhamos o mesmo Espaço/Objectos, por isso temos de ser
Amigos, Companheiros e respeitar-nos uns aos outros.
·
Precisamos
de nos conhecer bem (saber os nossos limites) e, respeitar o outro, aceitá-lo
como é e, ensiná-lo a Ser Melhor e a dar o seu melhor.
·
Dar
espaço ao outro, o seu Espaço. A casa é de todos mas, cada um tem um lugar
especial dentro dela, onde gosta mais de estar, brincar, trabalhar, fazer coisas.
·
Se
cada um estiver independente e satisfeito no seu cantinho, é muito mais fácil
Viver, Partilhar, Dar. Estar bem disposto, Alegre e Feliz.
·
E,
se estivermos todos bem, de vez em quando juntamo-nos para fazermos coisas em
conjunto. Brincar, dançar, cantar, ler, fazer jogos, construir alguma coisa,
cozinhar…
·
As
refeições deviam ser sempre que possível em família, (pais, filhos e outros
familiares que morem na casa).
o
Momento
muito especial para Partilhar, descontrair e saborear.
o
Equilibrar
os momentos de trabalho com o lazer.
2.
Somos
pessoas
Educadas, por isso
fazemos um esforço grande para cumprir as nossas regras:
Falar
num tom baixo, calmo e simpático. Apenas levantar a voz quando for necessário.
Evitar
chamar nomes feios e desagradáveis, às pessoas que mais gostamos e, que estão
mais próximas (pais, irmãos, avós, tios, primos).
Tentar
sempre manter a calma, mesmo nos momentos mais difíceis, quando estamos
cansados e irritados.
Saber
ouvir o outro, deixá-lo falar até ao fim.
Saber
esperar pela nossa vez, com muita calma.
Aprender
a ouvir e a sentir a nossa respiração, o nosso coração, as nossas emoções.
Aprender a controlar os sentimentos menos bons, impulsão, explosão de
disparates e descontrolo.
Manter
a cabeça fresquinha e saudável.
Sermos
Amigos uns dos outros.
Viver
num ambiente agradável e divertido.
Juntos,
nós construímos um Tempo. Que seja Tempo
de Harmonia, Diversão e Aprendizagem.
Como
família, comprometemo-nos a ser cumpridores desta Sabedoria.
E,
depois cada um assina o seu nome, concluiu Isabel.
Obrigada
por partilhares isto connosco, foi bom e acho que tem muito a ver com toda esta
conversa, que tivemos. O que é que vos parece?
Vou
desafiar a minha família a fazer este contrato, espero que aceitem. Luísa não
tinha irmãos, mas vivia com os pais e a avó.
Eu
vou tentar que lá em casa, que sejamos mais amigos e que as refeições não
tenham a televisão ligada. O Duarte sabia, que nem sempre era fácil isso
acontecer.
Ai,
sabem uma coisa? Estou a ficar cansado, preciso de ir até à praia construir um
castelo na areia. Pedro queria mesmo correr e brincar.
_ Sim vamossss! Duarte adorou a ideia.
- Vamos esticar as pernas, já estou cansada desta posição- disse Luísa.
-Adeus homem mágico! Até amanhã- disseram as crianças em coro.
Vão
lá amigos. E não se esqueçam, a verdadeira
Magia e Sabedoria, está dentro de cada um de nós.