quinta-feira, 22 de maio de 2014

"Tempo de Magia"


    


Maio, é um mês muito especial. Não só porque já estamos em plena primavera, em que tudo "nasce" à nossa volta", como existem dias para celebrar momentos únicos.

 No primeiro Domingo, celebra-se o dia da Mãe,  a 13, para os mais crentes,o "encontro" com Nossa Senhora e,também o dia da Família (a 15), menos conhecido.

Por tudo isto, e por ser considerado o mês do Coração, uma palavra muitas vezes esquecida no nosso dia a dia, gostava de partilhar aqui uma história que escrevi para crianças.

 Inspirei-me nos meus dois filhos, na sua "pequena" sabedoria e também naquilo que acredito e aprendi.

Esta história fala da Magia que existe em cada um de nós e na vida. Espero que goste e, que possa partilhá-la com alguém especial.
 





"TEMPO DE MAGIA"

Esta história fala de Magia. A magia da vida, das pessoas, das coisas.
Gostavas de ser Mágico? Ou de conhecer alguém que faz Magia?

Pois então, senta-te no teu sítio preferido lá de casa, ou no jardim, uma praia, onde quiseres e gostares mais e lê esta história.

Era uma vez um homem mágico, já velhote que tinha muita sabedoria…
E o que é Sabedoria sabes?

Sabedoria, é quando fazemos algo bem ou sabemos muito sobre alguma coisa.
Pode ser ler, escrever, fazer contas mas também cultivar uma horta, pescar, cozinhar, dançar e até brincar.
Todos nós temos alguma sabedoria e as crianças também.

Tu que já sabes ler, ou estás a aprender tanta coisa, tens a tua própria sabedoria, já pensaste nisso?

Com seis, sete, oito ou nove anos embora ainda sejas pequeno, tens imensos conhecimentos. E, se juntares a tua Magia também, como quem mistura açúcar num bolo, vais ver que te sentes um verdadeiro mágico.

Claro, que a magia tem truques, surpresas e deixa todos espantados.
Mas, se estiveres atento, ouvires os outros, observares o que te rodeia, aprendes num instante. É fácil!

Como já deves estar muito curioso, vou contar-te então a aventura de quatro amigos, que adoravam passar parte do seu tempo na companhia do Homem Mágico.
Ele vestia uma túnica de tons azulados e usava uns colares feitos de búzios. A sua casa era pequena e, ficava perto do mar.

Gostava de pescar e de ver as estrelas à noite, sentado numa velha cadeira de baloiço. E tinha um tesouro muito precioso, guardado numa estante feita de madeiras trazidos pela maré, livros.
Livros cheios de histórias, conhecimentos, imagens. Livros cheios de Sabedoria.

As crianças que viviam ali perto, adoravam ir conversar com ele. Tinham sempre muita curiosidade e, levavam na sua Mochila perguntas, às vezes com respostas, outras vezes não.

Isabel, de oito anos e muito sensível, adorava Observar as Pessoas e a forma como se Relacionam
- Porque é se zangam tanto e dizem constantemente, que não têm tempo para nada?

Já o Duarte, com um sorriso meigo e com menos dois dentes à frente, próprio da sua idade, preocupava-se com a Natureza e os seus Mistérios.

Pedro, com seis, de olhos escuros e muito vivos, queria saber como era o Céu, as Estrelas e a Lua.

Luísa, a menina mais velha do grupo, gostava do Mundo e do que se passava nele, as novidades, as viagens, as diferentes pessoas, os seus hábitos e costumes. Com dez anos, já tinha viajado algumas vezes com os pais e adorava ir a museus e espectáculos.

Cumprimentaram o homem mágico, que estava a ler na sua cadeira e sentaram-se ao pé dele. As perguntas logo saltaram com entusiasmo, da boca daquelas quatro crianças curiosas.

- Calma amigos, há tempo para tudo. Lembram-se do que vos disse do poder da Magia? É muito simples, só é preciso Saber Ouvir, Saber Esperar, e Aprender. E, claro Acreditar.

- E também dormir, quando é para dormir e brincar quando é para brincar, disse apressadamente Pedro, que é doido por brincadeira.

Muito bem, vamos então primeiro ouvir o que se passa à nossa volta e fechar os olhos, sugeriu o homem mágico.

- Eu oiço o Mar e as Gaivotas! - Sorriu feliz, o Duarte.
- Eu oiço o meu Coração! – Entusiasmou-se Isabel.

Então agora, vamos pensar nas nossas perguntas, o que Queremos Saber e Porquê. E respeitando sempre o outro, esperamos pela nossa vez.

Luísa, sempre pronta para a aventura, queria saber porque é que as pessoas viajam tanto hoje em dia. São amigos que vão para outro país viver, são os pais que trabalham fora e, depois as viagens que não são verdadeiras, as da internet.

O homem mágico pensou um pouco antes de responder. As pessoas sempre viajaram de um lado para outro, mas a verdade é que hoje há mais necessidade de fazê-lo, ou porque não há emprego, ou porque a profissão do pai ou da mãe assim o exige.
Mas, a verdade é que vivemos tudo demasiado depressa, sempre a correr, sempre a comprar, à procura de mais e mais. E, se calhar temos o que precisamos mesmo ao nosso lado.

- Como a Família e a Casa, onde vivemos?- perguntou Duarte.

Sim, é um bom exemplo. E a Magia disso, está nas Raízes que criamos com as pessoas e as coisas.

Já sei, como as raízes das árvores, que começam por ser só uma Semente e, depois com o sol, a chuva, vão crescendo, crescendo e, depois dão flores e frutos.- Comentou isabel.

Luísa acrescentou, claro, a semente pode ser o bebé na barriga da mãe, que cresce e cresce. E, depois de nascer com a Dedicação e o Amor dos pais, os carinhos dos irmãos e dos avós e o conforto da casa, vai tornar-se numa Criança Feliz.

Exatamente, percebem então muito bem o que são raízes.

Pedro, o mais novo, estava muito atento a tudo que se dizia mas, para ele a maior magia de todas estava no céu. 
- As estrelas fazem desenhos no céu e, aposto que também há árvores e raízes, eu vi no planetário!

Com os seus sábios dez anos, Luísa olhou para o Pedro e, discordou. 
- Não, não, estás enganado, o conjunto de estrelas formam animais, como a ursa maior, o leão ou o touro.

- Não se zanguem meninos, disse Isabel que não gostava nada de discussões.

Lembrem-se que cada um de nós tem a sua sabedoria e imaginação. Além disso, temos idades e ideias diferentes.
O homem mágico, sabia o que dizia os seus anos de experiência e as suas longas barbas brancas, falavam por si.

- Agora, vamos falar da natureza. Duarte, já estava impaciente com tanta conversa.
O arco-íris no céu pode ser magia não é?

- Não seu tonto ! A chuva caiu das nuvens e, depois se houver sol, que é o que dá cor a todas as coisas na terra, aparece o arco iris. É assim, explicou Luísa.

- Sim, eu sei muito bem. Mas, não deixa de ser magia. A minha mãe diz que é, afirmou Duarte com toda a certeza.

- Então, pensou alto o Pedro, se não houvesse sol, não havia cores, é isso?

- Claro, por isso é que existe a noite ! O sol vai-se embora para o outro lado do mundo e, aqui fica tudo escuro, respondeu Isabel.

Estão a ver meninos, uns com os outros, aprendem imensa coisa e, sabendo ouvir e esperar pela nossa vez de falar, melhor ainda. A isto chama-se respeito e os amigos respeitam-se uns aos outros.
Então, digam lá agora, o que pensam da Amizade?

Ser Amigo é
 Respeitar a pessoa
Acreditar nela
Partilhar momentos juntos
Ajudar quando é preciso
Aprender em conjunto
Partilhar segredos e brincadeiras

E isso é importante?

- Tão importante como a Família, a nossa Casa e a nossa Escola. Luísa, vivia tudo isto com intensidade.

- Duarte acrescentou radiante… e também o nosso Bairro! Adoro passear de bicicleta, jogar à bola na relva, falar com os nossos vizinhos e brincar com eles!

- Preocupada Isabel perguntou, então quem viaja para longe, como leva as suas raízes?

- Dentro de uma caixa, ou no coração. É mesmo verdade! – respondeu Pedro.

Lá fora, noutro país, noutra casa, com novos vizinhos, as pessoas criam novas raízes, mas nunca esquecem as da sua origem.

- E agora, existe o Skype por isso, as pessoas falam e podem ver-se quando quiserem, comentou Duarte.

- Mas não é a mesma coisa! As pessoas não se abraçam, nem sentem da mesma maneira. A personalidade sensível de Isabel, não lhe permitia muito o contato com as novas tecnologias.

- Conheço uma história que fala disso, de lugares distantes, de meninos com hábitos e tradições diferentes das nossas. E, eles faziam colecções de várias coisas, recorda Luísa, de pedras, conchas, troncos.

- Eu também faço, disse logo Pedro mas, de brinquedos e livros.

Os livros são muito importantes e, mesmo havendo os computadores e a internet, onde se fazem as tais viagens virtuais, ou menos reais, não há nada que os substitua, sabem porquê?

- Sim, porque são únicos e especiais, disse Isabel.

- E também porque têm dragões e cavaleiros! Espadas, escudos, elmos eee esporasss! Pedro entoou contente a canção, que o professor de música lhe ensinara.

- Ah! Mas eu também faço um jogo com dragões no computador da escola e adoroo! Apressou-se Duarte a dizer.

- Luísa, pensativa, disse que uma verdadeira história tinha de falar de Pessoas e de Viagens. Pequenas ou mesmo grandes, cada uma com a sua própria magia.

Tudo tem alguma magia, basta querermos e acreditarmos. A praia tem a magia do mar, das ondas e das marés…por isso, é que escolhi este sítio para viver.
 
- Poi é! Disse entusiasmado Pedro. E é a lua que faz as marés mexerem para cima e para baixo. O meu pai ensinou-me, ele é marinheiro. Então a Lua também é mágica!

- E tu por acaso sabes, retorquiu Luísa, que por vezes a lua tapa o sol, durante o dia e, fica tudo escuro por uns instantes? Chama-se um eclipse total do sol!

- Uauuu! Que giro, sabes tanta coisa, és mesmo crescida! Duarte ficou espantado com tanta sabedoria.

E tu um dia, também irás saber isto e muitas outras coisas. Há medida que fores crescendo, os teus conhecimentos e a tua sabedoria vão aumentando. É como as raízes, crescem e ganham força. Como falaram de viagens, vou mostrar-vos um globo, que tenho ali dentro de casa, para perceberem algumas coisas.
Quando voltou, trazia na mão o mundo, tão antigo quanto ele.
Nós estamos aqui, disse baixinho, neste cantinho ao pé do Oceano Atlântico.

- Pois é! Portugal é pequenino, mas não há igual! Duarte adorava fazer rimas.

Então, se quiserem viajar para o Algarve, por exemplo, como é que vão?

- De carro…..comboio…autocarro…mota…. barco…de avião ….E até de bicicleta! Um senhor já fez isso!!

Já viram a quantidade de meios de transporte que podemos utilizar para ir a um só sítio? Aposto, que cada um de nós escolhia um diferente, pois pensamos e gostamos de coisas diferentes.
 O Pedro, provavelmente, escolhia o barco!

- Sim, sim! E à vela, para sentir o vento e ver as estrelas à noite, deitado na proa.

A Isabel, se calhar, o comboio ou o autocarro, porque tem imensas pessoas.

E o Duarte, que adora aventuras, o avião para poder ver tudo lá de cima. O mar, os rios, as casas, as serras…

E tu Luísa, qual escolhias?

-Uhm..acho que ía de mota, para ter uma verdadeira aventura!

- Então e, se fossemos a outro país como Espanha, França ou Itália?

- De avião, mas também de carro, comboio e barco!

- Que giro! E podemos conhecer muitas pessoas, que falam outra língua, têm outra cultura, fazem coisas diferentes..e há museus e cidades para visitar. Luísa adorava estas coisas.

- Um saltinho aqui, um saltinho acolá, vamos lá! Mais uma rima do Duarte! Mas, e o dinheiro para isso tudo?

Prudente e atenta às poupanças, Isabel falou-lhes do mealheiro que tinha feito uma vez com o avô. Se pouparmos um bocadinho todos os dias, talvez juntemos o suficiente para fazermos a nossa viagem preferida.

- Sim, pomos num mealheiro as moedas pequeninas! Pedro afirmou que um dia iria à lua pois ele, o pai e o mano já tinham construído um foguetão.

Isabel, com a sua tranquilidade, ficava feliz se conhecesse bem o nosso país. Gostava de ir às praias todas e sentir o cheiro da maresia. Ver a força das ondas e a cor do mar, se é verde ou azul, se a água está quente ou fria.

Então e os surfistas, não gostas? E o kitesurf, com aqueles papagaios gigantes no céu? 

- Com tanta excitação, Pedro já se imaginava a saltar nas ondas…

- Nem por isso, prefiro pegar num búzio grande e, ouvir o mar…é tão bom!

- Isso é magia! Eu tenho um em casa, que era do meu bisavô e, às vezes também oiço, para acalmar.

Tão a ver, afinal sabem mais sobre o mundo do que pensavam. E há muita magia na vida e nas pessoas, se pensarem bem.

A minha avó faz magia! Quando estou triste, com um beijinho especial e um miminho, fico logo contente. Pedro adorava passar tardes inteiras em casa dos avós. Lá fazia coisas diferentes, que não fazia em nenhum outro lugar.

E eu, quando estou zangado, a melhor coisa que posso fazer é nadar. Duarte sentia-se um autêntico peixe ou golfinho, leve e feliz. A água tem poderes mágicos!

Isabel, achava que o melhor remédio para acalmar, era mesmo ler ou então passear…a pé, de bicicleta, de trotinete. Ou então falar com pessoas, falar é bom, alivia, dá-nos paz e tranquilidade.

Foi assim, que a nossa conversa começou, lembram-se? Antes de fazermos alguma coisa ou de dizermos algo, temos de primeiro parar para pensar e, só depois com calma é que avançamos.

- Mas, se andamos todos tão acelerados, sempre com pressa e mil e uma coisas para fazer, como pode haver essa calma? Isabel, não se conformava com a velocidade dos dias, das horas e dos minutos.
Assim, continuava, como se pode saborear os bons momentos da vida? E ter tempo para estar em família e com os Amigos verdadeiramente? Sim, porque ir ao facebook e conversar a fingir não é nada.

Mas, assim não sabias todas as novidades. Luísa estava muito habituada a lidar com a rapidez das redes sociais.

Pedro, estava um pouco baralhado. Para ele as melhores novidades eram aquelas que os amigos contavam.

Duarte, achava que devia haver tempo para tudo. Para brincar, estudar, passear e também ver desenhos animados e jogar no computador. É assim que os meus pais me ensinam!

Sabem, todos têm razão à vossa maneira. Há que saber dosear aquilo que fazemos, como e quando. Tudo tem a sua hora e o seu tempo.

- Era giro fazer um livro do tempo, pensou logo Isabel. Podíamos fazer isso juntos e desafiar mais amigos na escola, a participarem.

Ou então um jogo, com perguntas e respostas. Podemos fazer desenhos sobre vários temas, adoro desenhar! Duarte já estava muito entusiasmado.

Pois, isso dá muito trabalho. Pedro só pensava na brincadeira. E se construíssemos uma casa na árvore? Só nossa.
Até podia ser aqui perto, eu conheço uma floresta e, até acho que tem ursos e lobos!

- Que imaginação a tua! E não tens medo deles, perguntou Isabel?

- Nem pensar! Com a minha super espada e os meus super poderes, ninguém me faz mal!

- Andas a ver muita televisão Pedro. Cuidado, olha que nem tudo é verdade, como pensas. Luísa sabia o que estava a dizer.

- Sim, a minha mãe diz o mesmo. Duarte cuidado com o que vês, pois pode fazer-te mal. Mas como?

Os pais estão sempre preocupados com os filhos. Com o que comem, o que fazem, para onde vão e com quem, enfim…É a sua função, dar o melhor que podem e têm. Educar, é uma tarefa muito difícil, sabem? Há imensos livros sobre o assunto, pessoas especializadas mas, na verdade cada Família é diferente, assim como cada Pessoa. Não há uma resposta certa. Com uns funciona de uma maneira e com outros de outra.

Como é que sabe Homem Mágico? Isabel, estava muito espantada, pois sabia que ele sempre vivera sozinho.
Aprendi com os melhores sábios do mundo, sabem quem são?

- Nãooo!! Responderam em conjunto.

São as Crianças. Elas são o reflexo de tudo o que se passa à nossa volta. Das guerras, das zangas que a Isabel falava, da velocidade a que tudo se passa e da falta de tempo. Mas também, são a esperança de um futuro melhor para o nosso planeta.

- Pois é! Por isso, é que já plantei duas árvores e sou muito Amigo da natureza.

Muito bem Duarte. Se todos nós fizéssemos isso, mais a reciclagem, a poupança da água no dia-a-dia e, se fossemos menos gastadores, em tudo, a terra estaria em melhores condições.

- Então, se somos assim tão especiais porque é que não têm mais cuidado connosco, e com o que dizem e fazem à nossa frente? Luísa sentia-se revoltada.

- Os adultos passam a vida a dizer, não faças isto, olha que estou cá há mais anos que tu, sei mais, tenho mais experiência, blá, blá, blá. São uns chatos, dizia o Duarte.

E o pior de tudo, é que gritam imenso e, estão constantemente a dizer-nos para falarmos baixo. O pedro não entendia, esta atitude. Não fazia sentido nenhum.

Mas sabem, os adultos também andam muito cansados, tristes e desiludidos com a vida. E, depois procuram pequenos prazeres, os mais fáceis e mais rápidos, como um telemóvel ou tablet novo. Ou então uma roupa diferente e alguma coisa muito gulosa, como um bolo.

- UHmm!!Um bolo é bom. O Pedro já estava com fome.

E, se pensarmos bem, isso vai deixá-los felizes? Talvez por umas horas ou só uns minutos. São tudo coisas que desaparecem com o tempo, perdem cor, qualidade ou deixam de funcionar. Enquanto as relações com as pessoas e as crianças não. São reais, sentem-se, cheiram-se e saboreiam-se. Isto sim é um bolo bom. Isabel, não sabia, mas já era uma poetisa.

Percebo a vossa revolta e confusão, ao mesmo tempo. Lembrem-se apenas disto, têm a magia nas vossas mãos para alterar um pouco os hábitos dos adultos. Podem ensinar-lhes aquilo que eles não sabem ou já se esqueceram.
O que é que aprendem na escola e com os professores? São coisas muito importantes, que vos dão conhecimentos. Isso é o vosso trunfo. Sabem o que é?

- Sim, as cartas têm isso, quem tiver ganha!

- Boa Pedro acertaste! Quem tem o trunfo na mão, pode ser um verdadeiro vencedor. E, ao saberem ler, escrever e muito mais, são uns pequenos sábios.

- Eu não sou pequeno, já tenho sete anos! Refilou Duarte.

- Claro que não. Mas estás a crescer e todos os dias aprendes coisas novas, que aumentam a tua sabedoria. Assim, ao lado do adulto e, sempre respeitando-se um ao outro, aprendem em conjunto.

Mas, parece-me que o mais difícil é isso mesmo, as pessoas respeitarem-se. O meu avô conta, que antigamente nenhum aluno respondia mal aos professores e, que as crianças eram menos exigentes. Isabel, tinha longas conversas com os seus familiares. Eu sei que hoje há demasiada liberdade, talvez seja esse o problema.
O ideal, era mesmo o meio termo, ou seja, nem demais, nem de menos. As pessoas deviam pensar no caminho que fazem para alcançarem o seu objectivo. Não é só o fim que interessa, é como lá chegámos, o tempo que demorámos, o esforço que fizemos. O meu pai diz-me isto muitas vezes, disse Luísa.
O problema, é que hoje em dia há tanta coisa à nossa volta, que nos distraem e, que entram na nossa cabeça tão depressa, que muitas vezes queremos algo, naquele mesmo instante. E perdemos o fio à meada, como dizia a minha avó e, saímos do caminho certo. E, Luísa acrescentou, penso que com os adultos é igual.

Esta conversa, está a levar-me para uma altura do ano, que todos nós gostamos, o Natal.
O que é que pensam desta Época Festiva?

- Para mim o Natal, são os presentes – respondeu naturalmente Pedro.

- Achas que é só isso? Isabel adorava estes dias, por ter a sua família toda reunida.

Para mim, são as duas coisas, as prendas e estar com os primos.

Sabem, o Natal é isso e muito mais. Luísa conhecia bem as suas tradições, estão a esquecer-se do mais importante de tudo, o nascimento do menino Jesus.

Pois é, esqueci-me! Pedro rezava todas as noites com a mãe e o mano.

- Já sei, o Natal é ajudar e partilhar, disse Duarte radiante. Devíamos dar alguns dos nossos brinquedos, com que já não brincamos, aos meninos que não têm nada.
E também ajudar a nossa família, a preparar a casa e a fazer doces e… no que for preciso! 

Pedro, já começava a perceber o sentido desta conversa.

Muito bem, disseram todas coisas fundamentais. Mas, voltando ao outro assunto de haver tanta informação, nos cartazes da rua, na televisão, nos centros comerciais…isso, não leva as pessoas a gastarem demais e a perderem tempo com assuntos menos importantes?

- Como assim? Duarte, não estava a perceber.

- Sim, já percebi. No Natal, devemos estar com aqueles que realmente gostamos e partilhar com eles, Momentos Especiais. Isabel estava atenta.

Não importa quantos presentes damos, mas sim a qualidade e o valor sentimental que têm. Luísa, entendia bem que já não podia ter tudo aquilo que lhe apetecesse. A vida está mais cara e, há que poupar para as coisas realmente importantes.

Que conclusões, podemos então tirar desta longa conversa que tivemos? Querem dizer mais alguma coisa?

- Eu gosto muito de ter Amigos e de Brincar com eles. Isso é importante, Pedro não tinha dúvidas.

Duarte acha que temos de Cuidar muito bem da Natureza, se queremos viver num Planeta Bom e Saudável.

Luísa, cheia de ideias elaboradas, imaginava-se a viajar pelo mundo fora e, a conhecer outras culturas e outros povos, ao mesmo tempo que ia estudando e aprendendo.

Isabel, de repente, lembrou-se que na sua mochila tinha uma carta muito especial. Um tratado de família.

- O que é isso? E porque não trouxeste num ipad? É muito mais fácil de todos vermos, disse o Duarte.

- Isto é especial, foi a minha mãe que escreveu. Eu vou ler-vos também?


Tratado da Nossa Família
1.     Vivemos todos na mesma casa, partilhamos o mesmo Espaço/Objectos, por isso temos de ser Amigos, Companheiros e respeitar-nos uns aos outros.

·         Precisamos de nos conhecer bem (saber os nossos limites) e, respeitar o outro, aceitá-lo como é e, ensiná-lo a Ser Melhor e a dar o seu melhor.

·         Dar espaço ao outro, o seu Espaço. A casa é de todos mas, cada um tem um lugar especial dentro dela, onde gosta mais de estar,  brincar, trabalhar, fazer coisas.

·         Se cada um estiver independente e satisfeito no seu cantinho, é muito mais fácil Viver, Partilhar, Dar. Estar bem disposto, Alegre e Feliz.

·         E, se estivermos todos bem, de vez em quando juntamo-nos para fazermos coisas em conjunto. Brincar, dançar, cantar, ler, fazer jogos, construir alguma coisa, cozinhar…

·         As refeições deviam ser sempre que possível em família, (pais, filhos e outros familiares que morem na casa).
o   Momento muito especial para Partilhar, descontrair e saborear.
o   Equilibrar os momentos de trabalho com o lazer.


2.    Somos pessoas Educadas, por isso fazemos um esforço grande para cumprir as nossas regras:

Falar num tom baixo, calmo e simpático. Apenas levantar a voz quando for necessário.
Evitar chamar nomes feios e desagradáveis, às pessoas que mais gostamos e, que estão mais próximas (pais, irmãos, avós, tios, primos).
Tentar sempre manter a calma, mesmo nos momentos mais difíceis, quando estamos cansados e irritados.
Saber ouvir o outro, deixá-lo falar até ao fim.
Saber esperar pela nossa vez, com muita calma.
Aprender a ouvir e a sentir a nossa respiração, o nosso coração, as nossas emoções. Aprender a controlar os sentimentos menos bons, impulsão, explosão de disparates e descontrolo.
Manter a cabeça fresquinha e saudável.
Sermos Amigos uns dos outros.
Viver num ambiente agradável e divertido.
Juntos, nós construímos um Tempo. Que seja Tempo de Harmonia, Diversão e Aprendizagem.

Como família, comprometemo-nos a ser cumpridores desta Sabedoria.

E, depois cada um assina o seu nome, concluiu Isabel.


Obrigada por partilhares isto connosco, foi bom e acho que tem muito a ver com toda esta conversa, que tivemos. O que é que vos parece?

Vou desafiar a minha família a fazer este contrato, espero que aceitem. Luísa não tinha irmãos, mas vivia com os pais e a avó.

Eu vou tentar que lá em casa, que sejamos mais amigos e que as refeições não tenham a televisão ligada. O Duarte sabia, que nem sempre era fácil isso acontecer.

Ai, sabem uma coisa? Estou a ficar cansado, preciso de ir até à praia construir um castelo na areia. Pedro queria mesmo correr e brincar.

_ Sim vamossss! Duarte adorou a ideia.

- Vamos esticar as pernas, já estou cansada desta posição- disse Luísa.

-Adeus homem mágico! Até amanhã- disseram as crianças em coro.


Vão lá amigos. E não se esqueçam, a verdadeira Magia e Sabedoria, está dentro de cada um de nós.




  




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