Se pensarmos nos nossos Avós, lembramo-nos logo de algumas histórias contadas ou mesmo vividas, sobre o Tempo das Festas.
Tudo era vivido com mais "intensidade"
e, com mais significado. Nada era antecipado, vivia-se cada momento com
calma e na altura certa. O S. Martinho, o Natal, as Janeiras, o
Carnaval, a Páscoa, os Santos populares e por aí fora. Nada acontecia
por acaso, havia sempre um sentido.
Hoje em dia, é muito diferente. Os acontecimentos e as épocas festivas, "atropelam-se" e perdem-se no "Tempo". Algumas, até muito típicas e culturais, são esquecidas, pela pressa de ver chegar o dia de abrir as "prendas".
Fazer por fazer,
Dar por dar, mas sem verdadeiro "valor" e entusiasmo de viver aquele
momento, com toda a envolvência que tem, como é o caso do Natal.
E,
é por falar desta época tão especial, tão familiar e própria de
tradicões bem portuguesas (e, não só), que vou mais uma vez homenagear a
minha Avó Ema.
Fazia 100 anos, no passado dia 15 de Junho. Nasceu no ano de 1913, em Pontével.
É muito Tempo, muitas Histórias e Épocas vividas.
Passou por imensos acontecimentos históricos, mudanças, guerras mundiais, evoluções e "desevoluções"até ao dia 25 de Dezembro de 2006. Curiosamente, partiu neste dia, e penso que não foi por acaso. Um dia único, especial, de partilha, alegria, festa. Um dia que adorava e vivia com toda a "intensidade", que tinha. E, por ser católica e cheia de fé, partiu com um sorriso, sabendo que tinha cumprido a sua missão, cá na "Terra".
Partiu
num dia de esperança, ou não seria este o dia do nascimento de Jesus e,
levou-a para onde quer que tenha ido, para o céu, para as estrelas.
O significado do nome Ema quer dizer Universal. Não podia ser melhor. Universal nas palavras, atitudes, relações. Única e um "amor de pessoa", como se diz na linguagem do povo. Amor, era a sua palavra de ordem. Amar, Dar e Viver . Dava-se bem com tudo e todos, adaptava-se a qualquer situação, nova ou antiga.
Encontrei algumas curiosidades, sobre o seu nome e, que se adequam perfeitamente á sua imagem.
Ema tem 3
carácteres.
Origem do
nome Ema = Latim.
Significado
Ema : universal.
Muita inteligencia e poder de comunicação,
Estar sempre envolvida com diversas coisas ao mesmo tempo, é
uma constante na vida desta personalidade aventureira muito curiosa, impaciente
e dinamica.
Espirito livre, nunca recusa uma viagem.
Relaciona-se muito bem com todos e não dispensa uma boa
conversa!
Como não podia deixar de ser, vou falar um pouco da Terra que a viu nascer, Pontével.
www.jf-pontevel.pt
A freguesia de Pontével pertence ao concelho do Cartaxo, distrito de Santarém, a sua sede situa-se na vila do mesmo nome e tem por padroeira, Nossa Senhora da Purificação, também conhecida por Nossa Senhora das Candeias.
A situação privilegiada de Pontével, entre Santarém, Almoster e Alenquer, tornou-a ponto de passagem obrigatório dos mais altos nobres da corte, tal como a Rainha Santa Isabel que "quando se deslocava de Almoster para Alenquer, passava sempre por Pontével". D. Nuno Alvares Pereira, aqui decidiu tomar o partido de D. João I, Cristóvão Colombo aqui pernoitou quando se deslocava para Santarém após o encontro com D. João II em Vale do Paraíso, em Pontével também se encontraram os exércitos do conde de Abranches e D. Afonso V em 1449, o que levou o Prof. José Hermano Saraiva a referir-se a Pontével, como "a Vila que já foi Capital Política do País."
Foi cabeça de pelo menos três morgadios.O primeiro instituído pela família dos Negrões, casa situada na rua Frei Manuel da Encarnação conhecida pela casa da Assembleia ou da D. Tátá.
O segundo morgadio instituído por Mateus Peixoto Barreto quando fundou o Recolhimento de S. Dâmaso e, por último o morgadio dos morgados de Pontével, da família Bairros ou Barros residentes na Quinta da Fonte da Telha.
Do passado glorioso de Pontével, restam ainda alguns edifícios que foram propriedade ou habitação de nobres que aqui viveram ou passaram os seus tempos de lazer. São casas altas de varandas alpendradas com tecto de madeira suportado por colunas, cujo acesso se faz por uma escada de alvenaria, que caracterizam a arquitectura da nobreza rural, dos séc. XVI, XVII e XVIII.
Os progressos do séc. XIX, tiveram o seu reflexo em Pontével, criando a rede viária Pontével/Aveiras de Cima e Pontével/Reguengo, a inauguração do caminho de ferro Lisboa/Carregado em 1856 e dois anos mais tarde o seu prolongamento até à Ponte d´Asseca (Santarém).
http://pt.wikipedia.org/
De fundação muito antiga, anterior à da nacionalidade, começa a constar na documentação régia logo a partir de Dom Afonso Henriques,
A importância da Comenda de Pontével, integrava Ereira e Lapa, está patenteada pela posição que ocupava, relativamente à sua congénere scalabitana, com a qual chegava a rivalizar em termos de supremacia hierárquica.
Apesar da vetusta idade, Pontével não conserva muitos vestígios do passado e encerra alguns mistérios que urge decifrar. A chamada Ponte Romana ou Medieval é um desses mistérios, pois apenas se pode constatar que se trata de uma obra rudimentar bastante arcaica.
No século XIV, o fidalgo Bartolomeu Joanes (cuja sepultura podemos ainda hoje apreciar à entrada da Sé de Lisboa deixou uma disposição testamentária com vista à construção de uma ponte sobre o rio de Pontével.
A Igreja de Nossa Senhora da Purificação (Matriz de Pontével) assenta sobre o primitivo templo cristão ali erguido provavelmente logo a partir do século XII, mas foi completamente reconstruída no século XVII, sofrendo a partir daí algumas obras de restauro. No seu interior podem-se apreciar alguns elementos importantes datados entre os séculos XVI e XVIII, como a pia baptismal, os painéis pintados do Mestre da Romeira, um fresco da Padroeira no tecto da capela-mor, azulejaria, talha dourada e muitos outros motivos. São ainda de realçar os túmulos dos Comendadores do século XVII, entre os quais se destaca o de António Botto Pimentel.
O brilho de Pontével parece ter-se apagado com a extinção das ordens religiosas, de tal modo que, entre os finais do século XIX e o início do século XX, alguns ilustres visitantes se indignam com o estado de ruína da velha urbe. Por essa razão talvez, podemos assistir, a partir de então, a algum renascimento urbanístico, embora modesto. Exemplos de obras desse período são a reconstrução da Capela de Nossa Senhora do Desterro (antiga Ermida do Espírito Santo), bem como os arranjos do Rio da Fonte (o fontanário, a ponte, e a consolidação da margem esquerda do rio). Já na década de 30, noutra zona da grande beleza natural e entrada da vila, foi construída uma fonte que ostenta a forma de uma concha, à qual o povo rapidamente chamou, “A Saramaga“.
Poucos anos depois, em homenagem ao espírito filarmónico que também caracteriza a sociedade pontelevense, ergueu-se, no antigo Largo dos Três Fidalgos, um típico Coreto, que rebaptizou o local. Ofuscando o seu verdadeiro nome: Largo Mariano de Carvalho.
Festas anuais
- Festa dos Fazendeiros que se realiza no Domingo de Pascoela;
- Artével - Feira de Artesanato e Artes Plásticas que se realiza em meados de Junho;
- Festa em honra de Nossa Senhora do Desterro que se realiza no primeiro fim de semana de Setembro.
Gente Ilustre de Pontével
Marco Chagas (Ciclista vencedor de 4 Voltas a Portugal em Bicicleta)
A Avó Ema, falava muito neste famoso ciclista e, tinha muito orgulho em ser Pontevelense.
Curiosidades antigas:
mulher do milho
O povo de Pontével teve desde sempre várias profissões diferentes. A maior parte da população sempre se dedicou a agricultura, uns tinham propriedades suas onde trabalhavam durante todo o ano, muitos, principalmente jovens e até crianças deslocavam-se para o "campo" na região de Valada do Ribatejo, Reguengo, etc., para trabalharem nas grandes quintas ai existentes.
Passavam lá semanas
sem vir a casa, ficando na quinta onde a noite e a luz da candeia as raparigas
bordavam o seu enxoval, cantavam e até dançavam. A Quarta-feira os namorados
iam às quintas ver as suas amadas.
Nessas quintas,
tinham varias ocupações assim como todas as tarefas relacionadas como da
plantação até a colheita do arroz, trabalhos nas vinhas entre outros. Também
havia quem por cá ficasse, por exemplo o sapateiro que trabalhava todo o santo
dia além de ensinar aos seus aprendizes a sua arte. Havia quem se dedicasse a
produção de cal, que era feita em fornos dos quais ainda hoje há vestígios.
Nos finais do século
XIX princípios do século XX, Pontével começa de novo a reaparecer e dai para cá
pode-se dizer que esta em pleno desenvolvimento. Em 1906 foi fundado um jornal
que tinha por nome, "A Verdade", era totalmente feito a mão e do qual
só existe provas a partir do terceiro número, aparecendo assim novas ocupações
nesta vila.
vindima -Em 1956 começou a fazer-se a Festa dos Fazendeiros, que se efectua sempre no primeiro Domingo a seguir a Páscoa, ou seja no Domingo de Pascoela na qual eram e continuam a ser representadas as ocupações acima descritas. Contudo com a evolução dos tempos o camponês desta região perdeu, neste ultimo quarto de século as suas raízes ocupacionais bem como a maneira de vestir.
Usava
calça
ajustadissima a "boca de sino", barrete preto, posto com garbo, e
camisa branca engomada, em dias festivos. . Por cima desta apenas o
colete; a jaqueta ficava pendurada no ombro esquerdo. Na mão direita
empunhava
o inseparável cajado. A camponesa - a campina - no dialecto do povo,
essa era
garrida em extremo: saia de baeta vermelha, com barra de renda preta por
trás,
fazendo-a ela abrir em leque com o manear gracioso do seu andar.
Calçava tamanca preta
de polimento, e as típicas meias de algodão de cores berrantes com pontos
complicados e denominadas, segundo estes, meias aos "olhos", aos
"arcos", as "pipias", etc. A blusa era de cor clara e bem
ajustada ao tronco esbelto donairoso. O lenço de lã, de muitas cores, era posto
a meio da cabeça para deixar ver o cabelo bem penteado e bem untado com
"azeitinho da candeia". No avental a camponesa exibia toda a sua arte
em pontos abertos.
Hoje já não se
vê este tipo de traje a não ser no Rancho Folclórico de Pontével que tenta
reproduzir com rigor todos os trajes utilizados pelos nossos antepassados.
local.pt/40-a-festa-dos-fazendeiros-em-pontevel-no-cartaxo-
Cartaxo – A vila de Pontével voltou a recordar os ofícios e as tradições rurais e agrícolas, no âmbito da 40.ª Festa dos Fazendeiros, que se realizou no passado dia 7 de abril.
População deu vida às tradições rurais e agrícolas da vila
Nesta 40.ª edição, quase duas dezenas de viaturas e vários
grupos apeados participaram no cortejo, apresentando quadros relacionados com
os trabalhos no campo e as vivências sociais que marcaram o quotidiano de
outros tempos.
No que respeita aos trabalhos agrícolas, figurantes trajados
à época representaram a poda e a cura da vinha, a monda do trigo e até a
abertura de um poço. Pela importância que tiveram outrora muitos ofícios
tradicionais, a população continua a querer manter viva a memória destas
atividades, tendo recordado este ano o trabalho de marceneiro, moleiro, das
costureiras, lavadeiras e dos serradores que trabalhavam nos pinhais dos
arredores da vila.
Mas a vida não era feita apenas de trabalho, por isso também
as vivências sociais tiveram lugar neste cortejo, com a representação de uma
“taverna antiga”, um casamento à época de 1900 e até um passeio pela vila feito
por uma governanta e uma ama de uma família abastada de fazendeiros – um quadro
do qual faziam parte os participantes mais novos desta festa: dois bebés de
quatro meses, vestidos também à época de 1900 e transportados num carrinho que
remonta igualmente a essa época".
Tenho a certeza que tinha adorado ver este espétaculo ao vivo , de qualquer maneira concerteza que o viu à sua "maneira".
Ema Rosálea Areosa Ribeiro
* Cartaxo, Pontével 15.06.1913
Parabéns Avó Ema!





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